Manteiga Natural faz BEM ao coração!

Pesquisas revelam que pessoas que comem manteiga natural sofrem menos ataques cardíacos

Por KRIS GUNNARS e FLÁVIO PASSOS

Manteiga é uma das gorduras mais saudáveis do planeta – desde que proveniente de vacas que se alimentam de capim, e não de ração.

Em sua composição amarelada existem muitos nutrientes importantes, alguns dos quais possuem poderosos efeitos biológicos.

Contudo, isso depende do tipo da manteiga, pois a quantidade desses nutrientes benéficos varia grandemente de acordo com o que comem as vacas.

A indústria pecuária muitas vezes substitui o alimento natural da vaca (pasto, folhas e ervas) por ração de milho e/ou soja transgênicos por razões de praticidade rentável. Ocorre que isso modifica completamente a composição de sua estrutura nutricional, da mesma forma como é drasticamente alterada a composição nutricional do ovo da galinha que come ração. O mesmo ocorre com o salmão e peixes de criação, que perdem o caráter de alimento natural, pois são alimentados com comida artificial (ração transgênica e corantes, no exemplo do salmão).

A composição nutricional da manteiga

A manteiga é a concentração de óleos do leite. É o “azeite” que a vaca sintetiza em seu metabolismo. Sua composição é altamente complexa – são mais de 400 ácidos gordurosos diferentes e uma significativa concentração de vitaminas lipossolúveis (1).

Mais do que fonte de energia de primeira qualidade para o cérebro e para o fígado, ácidos gordurosos possuem potente atividade biológica.

Muitos dos elementos gordurosos presentes na manteiga trazem excelentes benefícios para a saúde. Isso inclui o CLA, um dos raros tipos de gordura trans benéfica (sim, isto existe – mas não confundir com gordura trans vegetal industrializada). O CLA é vendido em extrato como um efetivo suplemento para queima de gordura localizada, e estudos demonstram que este pode ter efeitos significativos para a Saúde (2,3).

A manteiga de vacas que se alimentam de capim possui 5 vezes mais CLA do que a manteiga de vacas que se alimentam de ração, soja ou milho. A quantidade de ômega 3 e vitamina K2, ambos fundamentais para a saúde cardíaca, são muito maiores na manteiga de vacas que se alimentam de capim (4,5).

Manteiga contém grande quantidade de gordura saturada… AINDA BEM!

O mito de que a manteiga faz mal e precisa ser substituída por margarina (argh!) é devido a sua elevada concentração de gordura saturada.

Entretanto, este não é um argumento válido contra a manteiga, pois o mito de que gordura saturada é algo nocivo tem sido consistentemente descontruído nos anos mais recentes.

Dois novos grandes estudos foram publicados recentemente – um em 2010 e outro em 2014. Ambos realizados com milhares de pessoas.

Estes estudos demonstraram claramente que não há qualquer associação entre o consumo de gordura saturada, em qualquer quantidade, com o aumento de doenças cardíacas (ou qualquer outra), pelo contrário (6,7).

Estudos demonstram que pessoas que se alimentam de manteiga natural possuem um risco menor de doenças cardíacas

A relação entre consumo de manteiga (ou laticínios integrais, que não foram desnatados) e doenças cardíacas parece depender do país onde o estudo foi conduzido.

Em países onde as vacas se alimentam predominantemente de pasto, existe uma relação diretamente proporcional: quanto mais manteiga se come, (bem) menor é o risco de doenças cardíacas.

Um estudo impressionante foi publicado em 2010 no American Journal of Clinical Nutrition:

Smit LA, et al. Conjugated linoleic acid in adipose tissue and risk of myocardial infarction. American Journal of Clinical Nutrition, 2010.

Esse estudo acompanhou os níveis de CLA nos tecidos adiposos de 1.813 portadores de doença cardíaca não fatal e comparou-os com 1.813 indivíduos similares que não eram portadores da doença. O índice deste tipo de ácido gorduroso é uma referência muito confiável para medir a ingestão de laticínios, e esse estudo foi conduzido na Costa Rica, onde as vacas são alimentadas apenas com pasto.

Os indivíduos foram divididos em 5 grupos, do que ingeria maior quantidade de manteiga (ou laticínios gordos) para o que ingeria a menor quantidade (preferindo margarinas, óleos vegetais ou laticínios “light”). Os resultados foram muito significativos:

 

 

Como pode ser visto, quanto mais da gordura do laticínio (que é a composição básica do laticínio) as pessoas do estudo comeram, (muito) menor o seu risco de doença cardíaca.

Ainda que seja um estudo de controle, e não uma prova em si, esse estudo é no mínimo uma confirmação de que a manteiga não é o demônio no qual tentaram transformá-la.

Muitos outros estudos demonstraram resultados similares

Esse está longe de ser o único.

Um segundo estudo realizado na Austrália demonstrou que as pessoas que se alimentaram da maior quantidade de gordura láctea (manteiga!) tinham o risco de doença cardíaca reduzido até 69% em comparação com as pessoas que menos a ingeriram (8).

Diversos outros estudos feitos em países europeus onde as vacas são geralmente alimentadas com pasto demonstraram que a gordura láctea está diretamente relacionada à redução de doenças cardíacas e derrames (9, 10).

Manteiga natural é super saudável!

Mesmo demonizada no passado, manteiga de verdade, proveniente de vacas que comem seu alimento natural, não é apenas um ingrediente delicioso – é também uma das gorduras dietéticas mais saudáveis do planeta. Ponto final.

 


 

  1. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2596709/
  2. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22452730
  3. http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0002822304004316
  4. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/10531600/
  5. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/7905466
  6. http://ajcn.nutrition.org/content/early/2010/01/13/ajcn.2009.27725.abstract
  7. http://annals.org/article.aspx?articleid=1846638
  8. http://www.nature.com/ejcn/journal/v64/n6/abs/ejcn201045a.html
  9. http://www.nature.com/ejcn/journal/v60/n2/full/1602307a.html
  10. http://www.nutritionj.com/content/8/1/21

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